sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A Guerra dos Mascates

    



   A expulsão dos holandeses do Nordeste e a consequente decadência da economia açucareira, após a descoberta de ouro nas Minas gerais, haviam lançado a aristocracia rural da vila pernambucana de Olinda em dificuldades econômicas. Entretanto, ainda controlava a vida política da capitania, por meio de sua câmara municipal, à qual estava submetido o povoado de Recife.
    Enquanto Olinda mantinha seu predomínio político, Recife tornava-se o principal centro econômico de Pernambuco, com o intenso comércio exercido pelos portugueses, apelidados de mascates. Os comerciantes, que tinham grandes lucros com sua atividade, passaram também a emprestar dinheiro a juros altos aos olindenses em dificuldades.
    A emancipação de recife, em 1709, obtida devido à pressão dos comerciantes portugueses e que lhe dava o estatuto de vila independente, revoltou os olindenses e deu início à Guerra dos Mascates. Os principais envolvidos no conflito foram presos pelo governador pernambucano nomeado pela Coroa um ano depois, Félix José Machado, que manteve a autonomia de Recife (transformada no ano seguinte em sede administrativa de Pernambuco). 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Uma Breve História sobre a Saúde Pública no Brasil

    
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    Logo após a ascensão do Governo Provisório algumas medidas em relação à saúde pública foram tomadas. Apesar de muitas coisas terem sido mantidas como eram no período da “primeira republica”, as mudanças, que já estiveram em pauta algumas vezes no parlamento brasileiro antes da revolução de 1930, começaram a ser discutidas e implantadas como política. A ideia de um Estado centralizado e forte fez com que mudanças fossem implantadas para que fizessem jus a nova política proposta por Vargas, centralizadora e de modernização. Neste contexto, na década de 1930, ocorre a criação do Ministério da Educação e Saúde, onde pela primeira vez é criado uma pasta para a Saúde no Governo Federal. No inicio, a criação do referido Ministério não trouxe mudanças significativas na Saúde Pública, a priori, significou apenas a incorporação de um departamento já existente: o DNSP – Departamento Nacional de Saúde Pública, que foi criado em 1920.
    Nos quatro primeiros anos do incipiente Ministério da Educação e Saúde, alguns nomes assumiram a pasta ministerial, foram eles: Francisco Campos, Belisário Penna e Washington Pires. Sabendo que estes nomes ocuparam a referida Pasta antes do nome que traria a “significativa” mudança no setor, Gustavo Capanema. Este ocupou o cargo de 1934 até 1945 e, apesar de não ter ocorrido mudanças na parte operacional do setor, ou seja, parte que lida diretamente com a população, proporcional condições para que, no futuro isso viesse ocorrer. Suas mudanças foram impares e importantíssimas para o que viria ser a política nacional de saúde ( PNS ). Capanema definiu rumos para a política de saúde pública reformulando e consolidando a estrutura administrativa e adequando-a aos princípios básicos que haviam definido a política social do Estado Novo. Foi a partir destas reformas realizadas por Capanema que o ministério passou a ser chamado de “ Ministério da Educação e Saúde”. 
    O combate as doenças infecciosas (febre amarela, hanseniase, tuberculose, etc)  eram a prioridade e se estenderam ate o campo com a Diretoria dos Serviços de Profilaxia Rural ( DSPR), em convenio com os estados o Governo Federal promoveu políticas para saneamento e combate as endemias. Boa parte do capital dos investimentos para a política de saúde pública de Capanema vieram dos E.U.A, o que proporcionou a concretização das aspirações políticas e de reformas.
   Toda esta trajetória histórica foi co-responsável  pela criação e implantação do Ministério da Saúde em 1953. A criação do ministério da saúde foi outro marco na política nacional e mais uma vez produzida por Vargas. Com a criação deste Ministério, pela primeira vez, a Saúde Pública, teve uma pasta só para si e isto começou com as políticas e mudanças administrativas que se iniciaram com Capanema em 1934. O DNS foi incorporado pela política e reformas administrativas realizada por Capanema, assim como, o Ministério da Saúde foi criado separando a pasta do Ministério da Educação. Desta forma, fica claro que a criação do Ministério da Saúde em 1953 esta diretamente ligada a esta trajetória política que Gustavo Capanema, quando no comando do Ministério da Educação e Saúde, realizou.
    A criação do Ministério da Saúde, apesar de ter sido realizada em 1953, não foi pensada em seu tempo. Esta intenção ocorreu ainda na década de 1920, contudo, foi bloqueado no congresso nacional pela elite fundiária que entendia ser um problema para eles, uma vez que o Governo Federal poderia tomar para si a responsabilidade pelo setor e tirando das mãos dos Municípios e Estados tal responsabilidade. Já na década de 1930 Capanema traz de volta tal intenção e dentro das políticas e reformas administrativas que realizou, cria o Ministério da Educação e Saúde. O primeiro Governo Vargas tinha uma política centralizadora e a criação do MASP estava diretamente ligada a tal política. É fato que as intervenções de Capanema na saúde estavam ligadas a política do período, contudo, existia também o ideal de melhorar as condições da saúde publica nacional. O fato de Vargas ter uma política de aproximação dos trabalhadores mantinha o interesse em se fazer um ministério que aumentasse esta vinculação e assim valorizar a política varguista.




quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Argentina: de 1870 à 1930



    
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    Na década de 1870 a Argentina impressionava pela sua arquitetura e regiões como os pampas. Buenos Aires era a região mais urbanizada e logicamente na qual se instalava o centro administrativo argentino. Neste período, na faixa costeira do estuário do Prata e do Paraná, era praticada a principal atividade comercial do período. Isso fez com que Buenos Aires se tornasse cada vez mais importante na qualidade de centro comercial e urbano na Argentina. Essa principal atividade comercial era o gado. Negócio que não exigia muito capital de investimento e não solicitava grande mão de obra.
    No decorrer do século XIX a argentina aumentou gradualmente seus lucros com o comercio envolvendo o gado. Com isso surge a visão de investimentos em outras áreas, um exemplo disso foi a criação de ovelha para a obtenção de lã. Durante toda a evolução comercial argentina o gado foi o “protagonista” da economia, contudo, além da produção de lã, a argentina mantinha em paralelo a criação de gado uma agricultura estável e produtiva.
    O gado estruturou a economia argentina na exportação de charque. Desta forma, os outros cortes passaram a ser usados no consumo interno. Isso fez acelerar não só o comercio externo, como manteve viva a atividade comercial interna.
    Um fator de grande problema a produção argentina foi a questão das terras. Com o grande crescimento comercial e a importação de charque absorvendo toda a produção, a Argentina se viu com pouco espaço produtivo e iniciou-se uma reestruturação da produção agrícola e pecuária, visando assim um aumento de matéria prima e uma grande e favorável expansão territorial. Com a expansão territorial estruturada o problema migrou para outra questão. Com uma grande produção e um mercado cada vez mais solícito a escassez de mão de obra surge e deixa a produção comprometida. Como saída estratégica a Argentina lança mão da mão de obra imigrante e inicia uma política de imigração para o trabalho agropecuário. Com o trabalho imigrante já ocorrendo o governo se preocupa com um dado alarmante. Já em 1914 existiam mais homens na força de trabalho imigrantes do que argentinos. Com isso fica claro que a grande influencia imigrante na força de trabalho contribuiu para uma relativa mudança no cenário socioeconômico argentino, com contribuição direta no aumento populacional, na oferta sempre em ascensão de mão de obra para o mercado de trabalho e nas técnicas implantadas na produção. Com isso ocorre neste setor uma variação de perfil do trabalhados, mesclando migração X mão de obra se obteve novas formas produtivas. De maneira lógica percebe-se que o aumento da oferta de mão de obra esta diretamente relacionado ao aumento da importação, assim, pode-se dizer que a “fama” da produção e comércio argentino fez aumentar a demanda de mão de obra imigrante.
    Durante este processo observa-se que enquanto fazendeiros lucravam alto, os trabalhadores não recebiam “ um quinhão” proporcional ao aumento dos lucros. Ou seja, trabalho tinha, mais também tinha muita mão de obra. O que fez banalizar a mão de obra derrubando os salários. Isso sem contar que com tanta imigração e o aumento relativo da população, tanto por imigrantes como por natalidade, começa a ter um grande número de pessoas desempregadas, diminuindo com isso o poder de compra e gerando problemas como o aumento da inflação. Os produtores não abriam mão dos seus negócios mantendo. Com isso ocorre um aumento dos preços dos produtos internos e mantendo o valor nos produtos exportados. Isso contribuiu ainda mais para prejudicar a questão econômica e social na Argentina.
    Neste período a economia argentina era primitiva, por isso o capital era escasso. Esse dado permite entender a dependência do pais frente a Inglaterra. Quase todo foco de operações bancárias era o comércio. A Argentina garantiu o investimento no comércio com fundos vindos da Inglaterra. Contudo, não é correto mencionar que todo capital foi de origem estrangeira. O capital interno também desempenhou um papel relevante no melhoramento de terra e de gado, assim como, na urbanização da capital.
    A construção econômica da argentina se dividiu em três períodos: o primeiro período começa com o término da crise de 1873 – 1876 e que alcança seu melhor momento com o “crash” 1890, apesar de recessão o período também teve uma grande expansão econômica. O segundo período tem seu inicio em 1890 e acaba na segunda metade desta mesma década, teve um período de depressão. E no final, o terceiro período teve uma grande expansão econômica também, se mantendo ate 1912. Como toda evolução econômica, problemas ocorreram com a moeda argentina necessitando de intervenções políticas para contornar a situação. Com isso dividas foram formadas chegando a um montante de 100 milhões de pesos em 1885 e 300 milhões de peso em 1892. Fato preocupante e que refletiu na economia argentina promovendo um déficit econômico importante. O ano de 1891 foi considerado o auge da crise financeira do período. Mesmo em crise alguns setores continuaram crescendo, um exemplo foi o setor de construção civil. Este não dependia dos insumos importados e por isso se manteve em alta.
    O período de 1900 a 1912 teve dois fatores fundamentais: a produção de cereais e o aumento do valor da carne na exportação. Isso promoveu inúmeros investimentos nos setores e uma inovação tecnológica se viu implantada, o transporte refrigerado da carne, item que se tornou diferencial e procedimento chave na logística de distribuição dos cortes de gado. Outro surgimento logístico tecnológico foi a utilização de ferrovias como escoamento de mercado foi fundamental para a construção de uma rede ferroviária e, esta, um impacto sobre a formação dos mercados. Com o aumento da logística de transporte da produção, criou-se alguns centros urbanos, prova cabal do crescimento proporcional dos avanços tecnológicos.
    Uma reforma monetária buscou o saneamento econômico argentino, assim a obtenção de matéria prima mais em conta foi um diferencial do período. Altos e baixos, valorização e desvalorização do peso e da economia argentina deixaram o setor sócio econômico argentino abalado. Até a segunda guerra mundial, passando é claro pela primeira guerra, interferiu na importação dos produtos argentinos. Medidas econômicas foram tomadas no intuito de minimizar tal problema, mantendo assim, na medida do possível a estabilidade da economia argentina.
    Portanto, pode-se observar que a estruturação político econômico social da argentina, foi diretamente ligada a pecuária e a agricultura, tendo ainda como coadjuvantes outras formas de produção como a lã. Esta produção manteve o mercado comercial argentino aquecido e sempre em evolução, tanto no comercio externo como no interno. As inúmeras crises ocorridas na argentina, o crash de 1889 por exemplo, permitiram o amadurecimento político e econômico, assim como, a criação de novas  formas comercias.
    Outra questão bem discutida foi a questão da necessidade de terras e mão de obra. Este problema foi solucionado através de contratação de Mão de obra imigrante e uma reestruturação da produção o que permitiu uma expansão das terras. Estes mesmos imigrantes ajudaram no aumento da população, assim como, na implantação de novas técnicas de trabalho, contribuindo desta forma para uma mescla na forma de produção.
    Por mais que a Argentina tenha passado por problemas econômicos, no período analisado, 1870 ate 1930, nota-se um grande empenho político para que o pais não caia em recessão, mesmo tendo ele passado por algumas. As questões salariais e de desvalorização da mão de obra, assim como, a divisão desproporcional dos lucros da produção foram amplamente discutidas e, de forma lamentável, não resolvidas pelo governo. Fica claro que desde sua estruturação sócio político econômica a argentina se manteve sempre em ascensão e se manteve firme quando em suas crises financeiras, localizando sempre um melhor método para “sobreviver” a turbulência. Sem dúvida o amadurecimento político e econômico proporcionou a Argentina um lugar de destaque nos países da América latina.    





sábado, 10 de dezembro de 2016

A Escola dos Annales

     

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    A chamada escola dos Annales é um movimento Historiográfico que se constitui em torno do periódico acadêmico francês denominado, "Annales d’Histoire Économique et Sociale", que surgiu na França e foi fundada por Lucien Febvre e Marc Bloch em 1929. Ao longo da década de 1930, a revista se tornaria símbolo de uma nova corrente historiográfica identificada como Escola dos Annales. 
    A proposta inicial do periódico era se livrar de uma visão positivista da escrita da História que havia dominado o final do século XIX e início do XX. Sob esta visão, a História era relatada como uma crônica de acontecimentos, o novo modelo pretendia substituir as visões breves anteriores por análises de processos de longa duração com a finalidade de permitir maior e melhor compreensão das civilizações das “mentalidades”. 
    O novo movimento historiográfico foi muito impactante e renovador, colocando em questionamento a historiografia tradicional e apresentando novos e ricos elementos para o conhecimento das sociedades. Apresentava uma História bem mais vasta do que a que era praticada até então, apresentando todos os aspectos possíveis da vida humana ligada à análise das estruturas. Toda esta mudança possibilitou uma nova maneira de ver e analisar as fontes históricas.


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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Curiosidades: "Salvo pelo gongo"



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Ao longo dos séculos, a morte de um indivíduo era uma questão rodeada por algumas crenças e incertezas. Desde a Antiguidade, os surtos de catalepsia eram vistos como uma instigante doença. Afinal de contas, esse distúrbio tem a capacidade de deixar o indivíduo completamente afásico, porém, consciente. Muitas vezes, a vítima desta patologia acaba sendo dada como morta e enterrada antes que possa recuperar os sentidos. Muitas vezes, ao realizarem a exumação de um túmulo, percebia-se que a parte interna do caixão estava toda arranhada. Essa era uma clara e terrível evidência de que mais um cataléptico fora enterrado vivo. Visando resolver o problema, os britânicos passaram a amarrar uma corda ao pulso de seus mortos. Essa corda sairia do túmulo até alcançar um sino ou similar. Logo, se algum cataléptico fosse enterrado vivo, poderia ser literalmente “salvo pelo gongo”.



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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

E se houvesse uma "Conspiração da Pólvora" em Brasília?

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“A Conspiração da Pólvora” foi um levante que ocorreu na Inglaterra em 5 de novembro de 1605. Organizado por um grupo de provinciais católicos ingleses  com o objetivo de matar o Rei Jaime I, sua família, e a grande parte da aristocracia protestante, explodindo o Parlamento inglês enquanto ocorria a sessão de Abertura de Estado. Os insurgentes tinham planejado sequestrar os guerreiros da realeza, ausentes no Parlamento, e incitar uma rebelião no local. Esta medida seria uma grande conspiração dos católico-romanos ingleses que, não concordavam com as medidas penais severas adotadas contra eles, e que finalizaria com um rei católico no trono inglês. Com os preparativos prontos, a conspiração foi descoberta pelo Governo, o que levou a execução de maior parte dos conspiradores e foi usado como pretexto para endurecer as medidas anti romanas. A Conspiração ou Complô da Pólvora não foi bem sucedido e muitos acreditam que a conspiração foi parte integral da chamada Contra Reforma Católica. A descoberta da conspiração frustrou os conspiradores e impediu a queda da dinastia protestante dos Stuarts, personificada nas figuras de Jaime I da Inglaterra e VI da Escócia.
No Brasil uma atitude dessas, por muitos, seria ovacionada e, por outros, altamente criticada. Contudo, de fato, o país vive hoje um descontentamento tão profundo com a política nacional, de todas as áreas, que não esta livre de um acesso de ódio generalizado no seio da sociedade. Sabe-se que a violência não resolve problemas e não leva a uma solução diplomática e democrática, contudo, o excesso de morosidade também não ajuda em nada e, a falta de moralidade na política só piora as coisas.  Assim, vemos a população se mobilizando com cada vez mais agressividade, justamente, por perceber que, com serenidade não chegarão a lugar nenhum. Da mesma forma que é preocupante, também é revoltante, pois, a corrupção está ignobilmente enraizada no âmago governamental, de forma que, como um carcinoma, cria metástases por todos os órgãos do legislativo, executivo e judiciário em todas as esferas governamentais. O que aconteceu no Congresso Nacional nesta madrugada foi imoral e um crime contra a democracia brasileira. Os intitulados Deputados votaram na calada da noite medidas que os livrarão da cadeia e, consequentemente, inutilizarão a "operação Lava Jato" caso passe pelo senado e seja sanssionada pelo Atual Presidente Michel Temer.  Portanto, reflitamos sobre o título desta postagem... será que seria um excesso da sociedade uma “Conspiração da Pólvora” aqui no Brasil, sobretudo em Brasília?  





quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Monges e Religiosos




    A “fuga do mundo” é um tema recorrente da retórica monástica medieval, mas sua prática concreta tomou formas diversas, indo do retiro propriamente dito em lugares isolados, a uma ruptura mais figurada, permitindo aos monges que não deixassem os centros de habitação e as relações sociais. A idade de ouro do monasticismo ocidental estendeu-se do século VIII ao século XII. O monasticismo cristão apareceu na parte oriental do Império Romano, sob o aspecto de um fenômeno claramente marginal, uma característica que ainda conservava quando se alastrou pelo Ocidente.

A origem Oriental

O monasticismo cristão tem sua origem no Egito do século III. A expansão da comunidade crista levou à ramificação do clero, que se dotou de uma estrutura complexa e hierárquica; a autoridade doutrinária e disciplinar concentrou-se então nas mãos dos bispos.
Quando Constantino tornou o cristianismo legítimo e não foi mais possível provar a fé pelo martírio, os autores monásticos sustentaram que os monges eram autênticos herdeiros dos mártires. Outros escritos apresentavam ainda o mosteiro como uma cidade no deserto. Trata-se evidentemente de uma anticidade, fundada em oposição a quase tudo o que encarnara a Polis ou a Civitas, entidade social essencial da Antiguidade.

Os Debates Ocidentais

Textos espirituais começaram a estar disponíveis em tradução latina. Foi assim que a vida monástica implantou-se de múltiplas formas nas províncias ocidentais, começando pela África do Norte, Itália, Gália e Espanha. Não conseguindo barrar o monasticismo, os bispos manifestaram abertamente sua desaprovação e seu desgosto. A Irlanda constitui uma interessante exceção a este esquema.
Na mesma época existiam no continente, em todas as províncias romanas ocidentais, tanto para mulheres quanto para homens, comunidades monásticas que sofriam com as migrações germânicas. Estas comunidades eram governadas por diferentes regras monásticas, algumas importadas e traduzidas, outras de origem local.
O monasticismo foi, portanto, um movimento propalado no Ocidente, mas teve faces diferentes, implantou-se em lugares afastados e caracterizou-se, em termos sociais e com exceção da Irlanda, por uma natureza claramente marginal. Essas tendências começaram a inverte-se com o papa Gregório.
A adaptação do monasticismo irlandês baseado no clã à estrutura da sociedade aristocrática franca produziu uma mistura única e original.

A unificação Carolíngia

O fortalecimento do principal papel social do monasticismo na Europa está diretamente ligado ao da dinastia Carolíngia. Carlos Magno empregou monges para aconselhá-lo e para orar pelo sucesso de seus exércitos. A partir de então, os monges foram acessórios habituais da realeza cristã germânica. O modelo monástico que surgiu no início da época carolíngia desenvolveu-se sem contestação durante mais de três séculos. Sua característica determinante era a litúrgica.
Os monges e as religiosas eram indispensáveis à sociedade em razão de seu quase monopólio sobre a oração. A função religiosa era essencial na concepção da organização social então amplamente compartilhada.
Em retribuição a todos os serviços que prestavam, os monges beneficiavam da generosidade dos leigos. Homens querendo assegurar sua salvação doavam importantes superfícies de terra às comunidades monásticas. Renunciar os costumes pagãos: deixar de cobrir os mortos com ouro, prata e pedras preciosas, instrumentos e armas, objetos que supostamente os ajudariam na viagem ao Além. Em vez de desaparecer, esse hábito foi direcionando para as igrejas monásticas, onde os objetos preciosos foram reunidos, transformados  em acessórios litúrgicos. As despesas ostentatórias deslocaram-se da tumba para o santuário.
O plano habitual de um mosteiro compreendia também uma biblioteca. Nos primeiros séculos da vida monástica, o valor do saber e da instrução fora considerado com certa ambivalência, mas o monasticismo ocidental foi constantemente erudito. Os livros eram venerados como objetos sagrados e a obra de um copista era considerada um ato espiritual.

Críticas e reformas

Antes que esta forma grandiosa de vida monástica tivesse atingido seu apogeu, certas vozes manifestaram-se para criticar não só seus excessos mas também seus princípios básicos. Assistiu-se então ao aparecimento dos movimentos dissidentes.

As ordens mendicantes

No início do século XIII, as ordens de frades mendicantes não sintetizaram apenas as principais evoluções da vida religiosa dos dois séculos precedentes. Elas foram bem mais longe. A principal característica de espiritualidade mendicante era o apostolado ativo voltado para a população urbana laica. Ao contrário os mosteiros, os conventos das Ordens Mendicantes estavam situados nas cidade; os frades passavam frequentemente de um convento a outro de sua ordem, em função das necessidades do ministério.
As mulheres não foram bem acolhidas pelos movimentos eremíticos e, após um primeiro período de tolerância relativa, elas acabaram sendo excluídas dos movimentos monásticos reformados. A verdadeira provação chegou com a fundação das Ordens Mendicantes. Os chefes destas ordens e seus inspetores pontificais não autorizavam as mulheres a participar do que fazia a especificidade da espiritualidade dos frades, quer dizer, o apostolado urbano.
Diante de uma conjunção de fatos, pode-se compreender que nos séculos XIII e XIV o misticismo tenha se tornado a vocação espiritual feminina por excelência. Nas cidades onde existiam várias ordens de frades, os conventos mendicantes estavam geralmente situados longe do centro, e longe uns dos outros. Os frades não se limitaram apenas a criar uma nova forma de vida religiosa, fizeram muito mais, incentivando uma nova espiritualidade laica.
A conclusão lógica do programa dos frades, que consistia em fazer os leigos participarem da vida espiritual, representava uma das ideias religiosas mais radicais daquela época: incitando leigos comuns a viver na religião, eles tendiam a tornar supérfluas as ordens religiosas e o clero.

Dissipação e Posteridade

No início, a história dos frades brilhava com inovações e entusiasmo. As novas ordens atraíram, é certo, homens de talento como as vedetes da vida universitária do século XIII, enquanto as comunidades monásticas não seduziam mais os candidatos de valor. Graças às dotações substanciais, os mosteiros continuaram funcionando no século XIV e XV, mas tratava-se então de instituições extremamente conservadoras, atrasadas em todos os campos de atividade, inclusive na espiritualidade.
Desde o momento de sua introdução a partir do Oriente no século IV e até a Contra-Reforma, a vida monástica ocupou um lugar de primeira importância no Ocidente medieval, uma importância desproporcional ao pequeno número de pessoas realmente envolvidas.

São Francisco de Assis

           A mensagem de São Francisco de Assis continua atual. Segundo o historiador Jacques Le Goff, os valores os quais o santo disseminou — amor à natureza, liberdade de espírito, anti-consumismo e vida comunitária — representam hoje uma busca existencial da atual sociedade. Segundo Le Goff, Francisco difundiu um apostolado voltado à nova sociedade cristã e enriqueceu a espiritualidade com a dimensão ecológica, colocando-o assim como o criador de um sentimento medieval da natureza expresso na religião, na literatura e na arte.
                O balanço da trajetória de um homem decisivo e de seu tempo, nesse sentido, procura definir a perspectiva a partir da qual é possível avaliar o que restou do franciscanismo para os contemporâneos, bem além das bulas papais ou determinações eclesiásticas. Um franciscanismo que foi capaz de corresponder à acelerada mudança histórica que viveu e, ao mesmo tempo, lançar luzes sobre o advento tão futuro da modernidade, insinuada nas práticas que dissolviam as fronteiras entre leigos e religiosos e definiam o valor da experiência e do exemplo.



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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A Crise Religiosa do Séc. XII.

Resultado de imagem para igreja seculo xiiCom inicio em fins do séc. XI e desenvolvendo-se por todo o séc. XII, verificou-se uma mudança nítida da ênfase religiosa. Acentuava-se agora a importância de um ingresso evangélico no mundo.  A igreja a influenciar o mundo, organizando-o e conduzindo-o à salvação. Essa mudança foi considerada a crise religiosa do séc. XII.
Nesse estudo reavivado do evangelho os cristãos se tornaram coletivamente do mundo que os rodeava e procuraram racionaliza-lo.
O pecado deixaria de ser uma questão de ações externas com contra ações de penitencia, mas passava também a ser contrição interior do foro intimo de cada um, essa espiritualidade a corresponder aos desenvolvimentos agrários e urbanos no sentido da expansão da Europa, que estavam também a verificar-se em diferentes esferas do séc. XII.


Raízes da crise
O período antes e depois do papa Gregório VII foi destinado a reformar a igreja e esclarecer seu papel no Império. A Igreja tornara-se negligente e mundana, reinava abusos dos clérigos, e leigos importantes da Igreja.
A diferença entre a verdadeira igreja primitiva e a elaborada maquinaria administrativa montada para o fortalecimento do poder papal era tão grande que dava lugar a que estivessem sempre em oposição direta. Tornando difícil dissimular essa disparidade. E deixou de poder ser contida quando o papado progrediu mais no sentido da eficiência administrativa do que no campo apostólico. Que no somatório viria a desenvolver o seu papel na crise do séc. XII.
A reforma que corrigiu os abusos do séc. XI já não era suficiente, sendo necessário a cada vez mais novas reformas.
Talvez o aumento da população, o crescimento das cidades, o numero crescente de oficiais, a diminuição da importância dos rituais e a mudança na aceitação da obediência a autoridade desempenharam a sua parte na formulação da crise religiosa.

Reagindo à crise - a vita apostólica

Floresce a tentativa de um retorno ao exemplo de cristo e dos apóstolos. Com o texto de atos que os apóstolos viviam fraternalmente, em que tudo o que possuíam era comum, exigindo testemunho de fé, amor fraternal, pobreza e bem - aventurança.
A vita apostólica e sua aplicação ajudaram a formular um ideal de vida cristã e os termos em que ela era vivida. O homem comum voltava a ganhar importância e ajudaria a espalhar a palavra de Deus tal como nos tempos apostólicos.

Reagindo à crise – monasticismo

O sistema monástico passou a ser considerada a verdadeira vida comunitária, porém não se adequava a condição de cristão – novo na sociedade. O seu principal valor para a comunidade era a sua função intermediaria.
Os monges sustentavam que a verdadeira vida apostólica era a deles. Falavam do monarquismo como o “caminho mais certo para o Céu”, já no fim do séc. XII muita gente não aceitava isso como certo.

Reagindo a crise - a Igreja secular

As reformas no inicio desse período investiram no sentido de haver conformidades eclesiásticas com os padrões da vida monástica. O celibato era essencial para essa finalidade. Seguiu-se um decréscimo daquele sentido de total comunhão de fé que se esperava que a Igreja proporcionasse.

Reagindo à crise - o avolumar da religiosidade laica

Um avolumar de leigos que proclamavam o valor absoluto e literal dos evangelhos.  Todas as classes estavam representadas nesse grupo, atraídos a dar expressão a um novo estilo de vida através de seu testemunho pessoal.
A pregação era uma questão central, seguiu-se um declínio no significado do clero, acompanhada por uma aceitação crescente dos leigos. A fundação das ordens mendicantes consagrou o evangelismo e a Igreja, o estudo da bíblia formando a liturgia da igreja. Com esse reconhecimento a igreja se esforçava em solucionar o surgimento apostólico que acabasse por rejeitar as normas estabelecidas.

Reagindo à crise – perigo da heresia

O perigo de interpretações erradas exigia coisas como evitar a blasfêmia e o juramento, com muitas dessas ideias podiam ser levadas ao extremo. Leigos que haviam conseguido a liberdade evangélica podiam abusar dela.
Para limitar este perigo, a igreja tinha como objetivo estabelecer a ligação com a autoridade para confessar e para ministrar a penitencia. Na questão da heresia, o que se considerava era a obediência, embora existisse diferença entre doutrina e interpretação.
      Era possível detectar um conflito entre o anticlericalismo e a vontade de fazer o que a Igreja desejava. Inocêncio II chamou para si a responsabilidade de tornar clara a distinção para evitar divisões prejudiciais. Essa distinção permitia que aqueles que fossem autorizados pela Igreja dessem testemunho de fé e pregassem. O quadro em que estas crenças se manifestavam tivesse sofrido uma evolução que refletisse não só o despertar espiritual da vita apostólica como também a autoridade da igreja.


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Missão dada é missão cumprida?!?

    A violência no Brasil é algo factual e alarmante. Não há um só dia que as manchetes dos jornais não nos de à certeza de estarmos em uma sociedade em guerra. O fator complicador é que isso se arrasta por décadas nas principais capitais e demais regiões do país. O documentário "Notícias de uma Guerra Particular", produzido na década de 1990, retrata muito bem o âmago da violência no Estado do Rio de Janeiro e o constante desafio das forças de Segurança que sozinhas tentam contê-la. Contudo, muitas vezes, acabam prosperando-a, o que não é diferente no restante do País. Vale muito a pena, assista e compare com os dias atuais!!!










quarta-feira, 9 de novembro de 2016

"O Passado que virou Presente!"

       As Revoluções Populares de 1848 ou Primavera dos povos, foram uma série de revoluções na Europa Central e Oriental que eclodiram em função de regimes governamentais autocráticos, de crises econômicas, do aumento da falta de condição financeira, da falta de representação política das classes médias e do nacionalismo despertado nas minorias. Estas abalaram as monarquias europeias do período que, já haviam fracassado nas tentativas de reformas políticas e econômicas em seus países.
   Este conjunto de revoluções, de caráter liberal, democrático e nacionalista, foi iniciado por uma crise econômica na França de Felipe de Orleans e, foi a onda revolucionária mais abrangente da Europa. Ao direcionar seu governo para interesses da Burguesia, Luís Felipe de Orleans, o Rei burguês, despertou a oposição da população mais pobre, dos republicanos e também dos socialistas, grupo que se fortalecia cada vez mais na Europa, estabelecendo o cenário ideal para o levante popular que o derrubou: A Revolução de 1848. O primeiro presidente eleito para assumir a França foi Luiz Bonaparte, sobrinho de Napoleão Bonaparte. Pouco antes do final de seu mandato, em 1851, Luís Bonaparte deu um golpe de estado e implantou o Império de Napoleão III. Cerca de 50 países foram afetados, embora as revoluções fossem locais e não houvesse uma coordenação entre elas. Os levantes foram liderados por uma mistura de reformadores, de membros da classe média e de trabalhadores, que não mantiveram-se unidos por muito tempo ficando conhecido com "Primavera dos Povos". Tudo isso, não te lembra alguma coisa?!
    Nos últimos tempos, no Brasil, percebemos alguns movimentos que remetem aos descritos nos dois parágrafos anteriores, de fato com uma incrível semelhança. A tomada da esplanada dos ministérios, a invasão do congresso nacional e ontem, 08/11/2016, a invasão e depredação da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro nos faz ter duvidas em que século estamos vivendo, XIX ou XXI? Não pelos atos de vandalismo, mais pelo fato da História estar se repetindo de forma incrivelmente semelhante com o passado. Parece que mais uma vez o povo se levanta contra seus "líderes" e a pergunta que ainda não tem resposta é: O que irão, eles, fazer? Bom, fugir, mentir, enganar, persuadir...tudo isso a população já sabe que eles fazem rotineiramente e, por isso, já está preparada para não acreditar. A impressionante semelhança do passado com o presente e as previsões para o futuro do Rio de Janeiro fazem lembrar uma frase muito famosa de Karl Marx: "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa." Ainda há muito o que aprender sobre política no Brasil. O conforto? É que já começamos a estudar!


Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro - ALERJ tomada por manifestantes contra o "pacote de maldades" do Governador Pezão. (fonte: web)
     



domingo, 6 de novembro de 2016

Ontem, hoje... Até quando?!

   


   Durante o Século XVIII, o Brasil-Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso País e, sobre a produção aurifera, eram 20%, ou seja, 1/5 da produção. Essa taxação altíssima e absurda era chamada de "O Quinto". Este Imposto, "O Quinto", era tão odiado pelos brasileiros, que, quando se referiam a ele, diziam "O Quinto dos Infernos". E isso virou sinônimo de tudo que é ruim. A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os "quintos atrasados" de uma única vez, e ainda, aumentar a tributação no intuito de compensar a diminuição na produção aurífera, tal episódio ficou conhecido como "Derrama". Isso revoltou a população, gerando o levante chamado de "Inconfidência Mineira", que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário IBPT, a carga tributária brasileira chegou ao final do ano de 2011 a 38% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente "dois quintos dos infernos" de impostos... Para quê? Para sustentar a corrupção? Os mensaleiros? O Senado com sua legião de "Diretores"? A festa das passagens, a farra (literalmente) com o dinheiro público, as comissões e jatinhos, a festa familiar nos 3 Poderes (Executivo/Legislativo e Judiciário)?
Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do "quinto dos infernos" para sustentar essa bagunça política, que nos custa o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa! E pensar que Tiradentes foi enforcado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente!!!

Reflita!





quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Grécia Antiga



Formação, evolução e consolidação da Pólis

   O primeiro passo para uma nova formação social, ou seja, o desenvolvimento da polis grega, foi a dissolução das comunidades gentílicas. Até o período Homérico, as famílias situavam-se em pequenas unidades agrícolas onde se dividia todo trabalho e produção. 
    Ao fim deste período, as comunidades gentílicas entram em crise a partir do momento em que as técnicas de produção não são suficientes para abastecer toda a comunidade. Com o tempo as melhores terras ficaram restrita a uma determinada classe, o que acabou subjugando os outros integrantes da comunidade.
  Com o passar do tempo, a questão da propriedade da terra estabelece o aparecimento de disputas e diferenças sociais entre os gregos. Por isso, alguns estabelecem alianças entre si para articular a defesa de suas propriedades. Nesta época a nascente elite proprietária de terras protagonizou a adoção das principais medidas de ordem política. Pouco a pouco, os proprietários das terras passam a ter mais poder.
   Na medida que se associavam consolidando sociedades mais amplas, as questões a serem solucionadas e as medidas que seriam adotadas pelos gregos se tornam cada vez mais complexas. A cobrança de imposto foi prevista em lei, realizar obras públicas também, a lei também previa a criação de sanções e a regulação do cotidiano daqueles que viviam na Pólis, nesse momento formada pela reunião de inúmeras comunidades gentílicas.
    Do ponto de vista histórico, a Pólis formada na Grécia não só determinou a presença de uma organização populacional mais extensa, foi de grande importância para que os gregos passassem a debater;elaborar e transformar as suas leis. “Transformavam a feição da política no mundo antigo ao não restringirem a mesma as antigas tradições orais ou a simples autoridade de um governante maior.”

A sociedade ateniense 

    Atenas, na antiguidade, era uma sociedade não militarista, ou seja, pacífica. Isso era o oposto do que se via em Esparta. Atenas se destacava das outras cidades gregas por ter adotado a democracia. A sociedade ateniense era dividida no período do seu apogeu em: Eupátridas – alta aristocracia, direito a cidadania, progressivamente abrangeu os menos favorecidos; Metecos – pequenos comerciantes, sem direitos de cidadão e Escravos – prisioneiros de guerra e condenados por algum crime, eram também considerados escravos os que não pagavam dívidas e os não cadastrados como Metecos.
     A política ateniense passou pelas fases de monarquia, arcontado, tirania e democracia. O governo era inicialmente monárquico, sendo os reis considerados descendentes de Erecteu. A sociedade era organizada em famílias, fratrias e quatro tribos. A exigência por parte das classes mais baixas de que as leis fossem escritas e publicadas levou a escolha de mais seis arcontes, os tesmotetas, magistrados responsáveis pela produção e interpretação das leis, o que deu origem a organização jurídica no estado ateniense.
     A boulé, formada por quem já tinha ocupado o cargo de arconte, obtinha o poder legislativo.

A sociedade espartana

   O surgimento de Esparta foi em meados do século IX a.C.. Durante a época micênica existiram no sul do local onde nasceria Esparta dois centros urbanos: Amiclas e Terapne.
     Devido ao problema gerado pelo aumento populacional e pela falta de terra, Esparta decidiu pela via militar para solucionar a problemática, diferente de Atenas. Assim, Esparta decidiu conquistar territórios adjacentes e aumentar seus domínios. Na luta pelo domínio no Peloponeso, Argos foi sua principal rival.
      Em 570 a.C., a tentativa de conquistar Arcádia foi fracassada, Esparta optou pela diplomacia, alterando a sua política. Com isso, Esparta oferece a outras localidades do Peloponeso a possibilidade de integrar uma liga liderada por ela própria, chamada liga do Peloponeso. Com exceção de Argos, a maioria integra a liga.
       Durante as guerras persas Esparta liderou as forças de defesas da Grécia em terra, e Atenas no mar. Com o final da guerra, as relações entre as duas cidades estados entram em colapso e culmina na guerra do Peloponeso, vencida por Esparta.
     A educação espartana que recebia o nome de agogê, apresentava uma particularidade que diferenciava-se totalmente de Atenas, estava nas mãos do estado. Era basicamente de orientação para a guerra e a segurança da cidade. Valorizava-se os atributos físicos e tinha o objetivo de trazer o sentimento patriótico. As crianças eram separadas de suas famílias e levadas aos centros de treinamentos espartanos já aos 7 anos de idade. Quando uma criança nascia com alguma deficiência, era deixada em um local próprio para morrer. A educação espartana era supervisionada por um magistrado especial, o paidónom.Existiam três ciclos: dos 7 aos 11; dos 12 aos 15 e dos 16 aos 20. Ao final do treinamento o jovem guerreiro deveria matar um hilota sem ser visto e assim tornar-se um guerreiro do exército, se fosse pego sofreria as sanções da lei pelo assassinato do hilota.
  As mulheres recebiam uma educação parecida com as dos homens. O objetivo era favorecer o seu treinamento não só para o combate mais para moldar seus corpos de forma a ficarem fortes e saudáveis para poderem procriar.
    A sociedade espartana era estratificada, sem possibilidades de mobilidade entre os três grupos existentes, ou seja: os esparciatas, os periecos e os hilotas. Esparciatas – Pertenciam a este grupo os filhos de pai e mãe espartanos e eram os únicos que possuíam direitos políticos; Periécos – Eram os habitantes das cidades da periferia ligados ao estado espartano e pagavam impostos eram livres e não tinham direitos políticos; Hilotas – Eram os servos, pertenciam ao estado espartano, trabalhavam nos kleros, entregavam metade das colheitas aos espartanos e eram muito explorados, diferente dos escravos de Atenas os hilotas não eram mercadorias.

Atenas X Esparta: Principais diferenças

    Podemos observar nos textos que Atenas e Esparta possuem características bem peculiares e se divergem uma da outra em alguns pontos. No que se trata de escravidão, natural que em Atenas o cativo seja tratado com mercadoria, uma vez que lá foi o berço desta prática. O que difere dos hilotas de Esparta que são servos e apesar de serem subjugados e extremamente explorados não são mercadorias e pertencem ao estado. Já na política, Esparta tem a tirania como base de governo, assim como, a utilização de força militar para a proteção, isto difere completamente de Atenas, já que esta utiliza-se da democracia e é desmilitarizada. A mulher também é um assunto divergente, na cultura ateniense a mulher é instruída para afazeres domésticos, já em Esparta ela também é treinada para compor o exército. A educação em Atenas visava estabelecer uma ligação entre mente e corpo, a filosofia surgia para embasar esta educação, enquanto em Esparta toda a educação era voltada para a formação militar e preparação para a guerra.

A guerra do Peloponeso

     Esta guerra foi um conflito armado entre Esparta e Atenas. Foi registrada por Tucídides e Xenofonte. De acordo com o primeiro, a razão da eclosão da mesma foi o crescimento do poder ateniense e o temor que este despertava nos espartanos.
     A guerra do Peloponeso marca uma grande mudança na história da Grécia, principalmente nos aspectos militares, políticos, sociais e econômicos. Inicia o declínio da cidade como objeto essencial da civilização da Grécia. Uma das mais importantes mudanças ocorridas com esta guerra foi a monarquia, que iria dominar na época helenística.
    Muito importante também foi o fato do conflito ter envolvido quase todos os estados gregos, além dos números sem precedentes de arma, homens e o grande consumo de recursos materiais. Por ter seus desfechos entre a Ásia Menor e a Sicília, o poderio naval foi de suma importância. Antes as guerras eram de curta duração, ocorriam alguns encontros de infantaria (hoplitas). A guerra do Peloponeso foi diferente, grandes blocos de estado, várias áreas de combate, estratégias muito bem definidas e dependendo da ação de Esparta ou Atenas – uma, potencia terrestre; a outra, potência naval e possuidora de um império financeiro e comercial. 
    Esparta sai vencedora da guerra, contudo, logo se veria dominada e seu império englobado pelos macedônios. Felipe da Macedônia toma o mundo grego e inicia o que viria a ser um dos maiores impérios que o mundo já viu, não em suas mãos, mas nas do seu filho - Alexandre, o grande.