segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

A Idade Moderna

     


  A Idade Moderna começou com a queda do Império Romano do Oriente, em 1453, quando Constantinopla foi tomada pelos turco-otomanos, e termina em 1789 com a Revolução Francesa. De modo geral, o período pode ser entendido como uma etapa de transição entre o feudalismo e o capitalismo. Nesse século, a Europa viu a economia autossuficiente e agrária da era medieval ser substituída pelo comércio internacional e pela produção fabril, que marcaria a Idade Contemporânea.
     O Renascimento, que pôs a razão e o ser humano no centro das atenções e a Reforma Protestante, que diminuiu o poderio da Igreja Católica, também ajudaram a varrer as estruturas medievais. Consolidou-se ainda uma grande modificação política: a formação dos Estados Nacionais e a instalação de governos absolutistas, com todo o poder nas mãos do Rei.
     Em busca de riquezas, essas monarquias empreenderam a expansão marítimo-comercial. Descobriram terras e exploraram-nas, fazendo da Europa o centro de uma rede de comércio que interligava quase todo o mundo. Logo, porém, a classe burguesa percebeu que não bastava acumular riquezas, era preciso produzi-las, num processo que culminou na Revolução Industrial, quando surge as fábricas.
     A Idade Moderna termina com demonstrações de força da burguesia. As Revoluções Inglesas do século XVII puseram fim ao absolutismo no país. No século XVIII, durante o Iluminismo, a burguesia dedicou-se à disseminação de valores culturais, políticos e econômicos alinhados a suas pretensões hegemônicas. O ápice desse movimento se deu com a Revolução Francesa, que consolida o Estado burguês, marcando o início da Idade Contemporânea. 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A Revolução Islâmica Iraniana




"Tomados por um sentimento nacionalista e fortemente religioso, os iranianos derrubaram o governo pró-ocidente e levaram ao poder um grupo fundamentalista que alteraria o destino do Oriente Médio."


     Tudo aconteceu muito rápido. em janeiro, o último xá do Irã, um playboy com fama de promover as melhores festas do mundo, foge para o exterior. Em fevereiro, o líder da oposição, um religioso radical, coltou do exílio, foi recebido com triunfo e assumiu o poder. Em abril, o país transformou-se, após um plebiscito, em uma república islâmica, adotando como base uma interpretação fundamentalista das leis expressas no Alcorão. Depois disso, a história da região, uma das mais sensíveis em termos geopolíticos do planeta, jamais seria a mesma. A Revolução Islâmica de 1979 no Irã levou ao poder um grupo de religiosos com práticas antiamericanas e antiocidentais, que influenciou toda a região e gerou algumas das imagens que marcaram os anos 80 e 90.
     Durante o século XX, o Irã não havia sido um problema para o Ocidente. Pelo contrário, os governos iranianos haviam cooperado com as nações ocidentais. No início do século, por exemplo, os britânicos exploravam a maior parte do petróleo do país (ainda chamado Pérsia). Enfraquecido, o xá Ahmed, soberano desse rincão dependente, não resistiu a um golpe de Estado em 1921 e o líder rebelde Reza Kahn foi proclamado xá da Pérsia pelo Majlis (Parlamento).
   O novo governante tinha dois objetivos. Um era modernizar o país. tomando o ocidente como modelo, promoveu reformas nos sistemas educacional e Judiciário, além de construir hospitais e ferrovias. O mais importante, contudo, era livrar-se da dependência estrangeira. Primeiro , Reza Khan mudou o nome do país de Pérsia, palavra de origem grega, para Irã, como os próprios habitantes o designavam. Depois, nacionalizou tudo que pôde, como os serviços de telégrafos. Ao mesmo tempo, porém, o xá se aproximou dos nazistas alemães, de quem passou a importar tecnologia. Com a II guerra Mundial, o Irã foi invadido pelas tropas aliadas e Reza Khan foi afastado do poder, fugindo para o exílio na África do sul. Em seu lugar, com o apoio dos aliados, assumiu seu filho Mohammed Reza (chamado de Reza Pahlevi), de apenas 20 anos.
     Na década de 1950 ocorreu uma crise quando, apoiado pelo Parlamento, o primeiro-ministro nacionalista Muhammad Mossadeq decidiu estatizar as reservas de petróleo que estavam nas mãos dos ingleses. O xá, aliado dos britânicos, tentou demiti-lo, mas perdeu a queda de braço e foi obrigado a fugir do país. Foi então que os americanos decidiram intervir, ajudando a organizar um contra-golpe, que contou com o apoio de membros do Parlamento, líderes religiosos e militares. O primeiro-ministro foi preso, o xá voltou ao país e o petróleo retornou as mãos estrangeiras. Na década de 1960, o governo de Reza Pahlevi tornou-se mais ditatorial, iniciando uma campanha para eliminar os opositores. Um dos descontentes era um proeminente acadêmico xiita, conhecido como aiatolá Ruholaah Khomeini, que acabou expulso do país.
        Enquanto o xá levava uma vida de playboy, a nação sofria com uma grave crise econômica. E o aumento da repressão na década de 1970 reforçou a oposição ao governo. O pontapé inicial da revolução foi uma manifestação pró khomeini realizada em 1978 na cidade de Qum. Tropas do xá reprimiram o protesto, matando 70 pessoas. Do exílio, Khomeini ordenou que após 40 dias fossem realizadas cerimônias em memória dos mortos, como é tradição no país. Esses eventos, que passaram a se repetir a cada quarentena, se transformaram em protestos contra o governo. Seguiu-se uma greve geral que paralisou a economia do Irã. Em janeiro de 1979, Reza Pahlevi fugiu do país. Em fevereiro, Khomeini, que a esta altura vivia na França, voltou a Teerã, após 14 anos de exílio. Em seguida, o povo foi as urnas e decidiu, em plebiscito, o novo sistema de governo: uma República Islâmica, da qual khomeini se tornou chefe religioso e político.
         O país que surgiu desse movimento, no entanto, não teve vida fácil. A guerra contra o Iraque (1980 - 1988) provocou o isolamento do Irã perante a comunidade Internacional. Insatisfeitos com os rumos que a revolução vinha seguindo e desejosos de maior liberdade, em 1997 os iranianos elegeram um aiatolá reformista, Mohammad Khatami, que foi reeleito em 2001. A linha dura retoma o poder com a eleição de Mahmoud Ahmadinejad, em 2005. Em 2013 o aiatolá Hassan Rohani assume o país mantendo a mesma linha de seu antecessor. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

As Reformas Religiosas



"Em meados do século XVI, desencadeou-se na Europa um movimento de caráter religioso, político e econômico que contestava a estrutura e os dogmas da Igreja Católica: a Reforma Protestante. Ocorrida paralelamente ao Renascimento Cultural e a formação das monarquias nacionais européias, ela expressou a necessidade de adequação da religião às transformações decorrentes do desenvolvimento do capitalismo."
   
  Seus antecedentes nos remetem ao fim da Idade Média, quando a Europa convivia com um constante medo dos castigos reservados aos pecadores no inferno. Quem estimulava essa tensão era a própria Igreja, que enriquecia com a venda de indulgências (perdão dos pecados). A prática financiava o luxo do alto clero, mas causava descontentamento dentro da instituição. A incipiente burguesia também estava insatisfeita. Ao proibir a usura e o lucro em geral, a doutrina católica freava o desenvolvimento das atividades bancárias e comerciais, prejudicando a alma do negócio burgues.
  Ao mesmo tempo , formavam-se as monarquias nacionais. Com o estabelecimento de fronteiras, a Igreja, grande proprietária de terra, passou a ser considerada "potência estrangeira", o que estimulou conflitos entre Reis e o Papa.
  Nesse contexto, começaram a surgir importantes críticos da Igreja Católica. Destacaram-se John Wyeliffe, no século XIV, na Inglaterra, Jan Huss, no século XV, na Boêmia. Eles condenavam a venda de indulgências, a opulência do clero e defendiam o confisco dos bens da Igreja. Os dois foram precursores de um movimento revolucionário que começaria, de fato, no século XVI.
  Martinho Lutero era um professor de teologia pertencente à ordem agostiniana que viveu na cidade de Wittenberg, na região do Sacro Império Germânico. Durante os seus estudos, ele foi fortemente influenciado pelas obras de Jan Huss, São Paulo e Santo Agostinho. Nessa trajetória de estudos teológicos, Lutero acabou formulando um conjunto de idéias que iam contra muitos dos princípios estabelecidos pela igreja romana. 
  No ano de 1517, insatisfeito com a situação da Igreja de sua época, publicou na porta da catedral de Wittenberg as suas 95 teses. Entre outros pontos estabelecidos por esse documento, Lutero criticava a venda de indulgências e a negociação de cargos eclesiásticos feitas pela Santa Igreja. Além disso, Lutero estipulava uma nova forma de relação religiosa onde, entre outras coisas, afirmava-se que o indivíduo obtinha a salvação pela fé, e não pelos seus atos. 
 Os princípios defendidos pelo pensamento luterano acabaram tendo grande força no interior do Sacro Império Germânico. Entre a nobreza havia uma grande tendência de oposição contra o poderio eclesiástico. O Sacro Império era controlado por meio de um processo eletivo entre os principais proprietários de terra da região. A Igreja, sendo uma grande proprietária de terras, tinha grande poder de interferência nas questões políticas do Sacro Império. 
 Essa questão do poder político dos clérigos influía em diferentes grupos sociais da época. Os nobres tinham interesse em se apoderar das terras da Igreja. Ao mesmo tempo, a burguesia local procurava reduzir o pagamento de impostos devidos aos eclesiásticos. A classe campesina também viu nesse episódio de confrontação uma grande oportunidade de reverter sua situação de penúria e subordinação, muitas vezes aprofundada ou legitimada pela Igreja.
 Por coincidência, a publicação das idéias de Lutero aconteceu no mesmo período em que o papa Leão X organizou uma venda de indulgências em massa. Segundo um documento da Santa Sé, todo o fiel que contribuísse na construção da catedral de São Pedro teria todos os seus pecados perdoados. Lutero, motivado por esse exemplo flagrante de cobiça entre os eclesiásticos, não se curvou mediante a exigência de retratação imposta pelos líderes da Igreja.
  No ano de 1520, Martinho Lutero foi excomungado e logo em seguida julgado por uma reunião entre os principies alemães realizada durante a chamada Dieta de Worms. A oposição dos membros religiosos contou com a resistência de boa parte dos principies alemães, que refugiaram Lutero no castelo de Wartburg. Nesse período, o monge excomungado se dedicou à produção de nobres obras teológicas e a tradução da Bíblia para a língua germânica.
  A diferença de interesse por de trás da nova fé pregada por Lutero foi percebida quando um grande número de camponeses começou a invadir terras e destruir igrejas. Os revoltosos, também conhecidos como anabatistas, começaram a empreender uma revolução social que ameaçava os interesses dos nobres germânicos. Martinho Lutero não deu apoio ao movimento popular e defendeu o direito de propriedade dos nobres e dos clérigos. 
  O clima de tensão começou a ser revertido quando, em 1530, Martinho Lutero e Filipe Melanchthon estabeleceram os princípios da religião luterana. Nesta carta, reafirmaram o princípio da salvação pela fé e afirmavam que a Bíblia era a única fonte de consulta para o estabelecimento de dogmas. A nova Igreja seria composta por líderes sem distinção hierárquica e os mesmos não teriam que cumprir voto de castidade.
  Depois de fundar os princípios eclesiásticos do luteranismo, a questão dos conflitos sociais veio a ser resolvida anos mais tarde. No ano de 1555, os nobres convertidos ao luteranismo sagraram a assinatura da Paz de Augsburg. No documento ficou decretado que cada um dos principies alemães tinha liberdade para seguir qualquer opção religiosa. Por fim, os conflitos diminuíram e uma nova crença se arraigou na Europa.
  A primeira tentativa de reforma na Suíça deu-se com Ulrich Zwinglio, estudioso de Lutero, que propôs uma doutrina mais radical. A briga entre protestantes e católicos desencadeou um guerra civil entre 1529 e 1531, em que zwinglio morreu. A Paz de Kappel determinou a autonomia religiosa para cada região do país.
  Alguns anos depois, chegou a Genebra o Religioso francês João Calvino, que reconhecia os princípios da predestinação e da justificação pela fé. No entanto, pregava que as atividades comerciais e financeiras eram vistas com bons olhos por Deus e, portanto, em vez de condena-las, as encorajava. 
  Ao Justificar a moral da ascendente burguesia, o calvinismo difundiu-se ainda mais que o luteranismo. Na Escócia seus seguidores foram chamados de presbiterianos; na França, de huguenotes; e na Inglaterra , de puritanos.
  Na Inglaterra, a reforma foi desencadeada pelo Rei Henrique VIII. Querendo tomar para si o poder que a Igreja Católica tinha em seu país, ele viu em sua mulher um bom pretexto para criar tensões com a Santa Sé. Argumentando que, após 18 anos de casamento, Catarina de Aragão não lhe havia dado nenhum herdeiro home, pediu a Roma a anulação do matrimônio. A requisição foi negada e, Henrique VIII rompeu com o Papa.
   Em 1533, o parlamento britânico aprovou o divórcio e o Rei se casou com Ana Bolena, sua amante. No ano seguinte, Henrique VIII fundou a Igreja Anglicana, da qual era líder supremo. Após ser excomungado pelo Papa, confidcou as terras católicas e extinguiu mosteiros. As propostas da nova religião em muito se assemelhavam às do catolicismo, o que resultou em sérios conflitos com os puritanos no século XVII.
  A reação católica à expansão das doutrinas protestantes ficou conhecida como Contrarreforma. O Papa Paulo III convocou, em 1545, o Concílio de Trento, que condenou o protestantismo e reafirmou os princípios católicos. A inquisição foi reativada e se instituiu o Index ( lista de livros proibidos aos católicos). Mas algumas reformas internas foram empreendidas decidiu-se regular as obrigações do clero e o excesso de luxo na vida dos religiosos.
  A Contrarreforma não conseguiu acabar com o protestantismo, apenas freou sua expansão. Um de seus maiores êxitos foi a disseminação da fé católica pelas colônias europeias, incluindo o Brasil, trabalho realizado pela Cia de Jesus, a ordem dos jesuitas, criada em 1534. É graças a ela que a América Latina comporta o maior número de católicos no mundo.



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Curiosidades: "Será o Benedito?"


A versão mais aceita seria a da  pergunta ter surgido na década de 1930, em Minas Gerais. O então presidente Getúlio Vargas demorava muito para nomear um interventor para aquele Estado. Naturalmente, a demora gerou inquietação entre os inimigos políticos de um dos candidatos ao posto, cujo nome era Benedito Valadares, daí a pergunta:  "Será o Benedito?".
E foi mesmo, Valadares foi nomeado interventor em 12 de dezembro de 1933 e, nos meios políticos da época, foi tão conhecido quanto sua expressão é na sociedade. Era considerado um político audaz e muito persuasivo, cuja esperteza, descreveu em suas memórias, só era superada pelo próprio Getúlio.

Entre seus feitos, indicou Juscelino Kubitschek para a chefia da Casa Civil de Minas Gerais e, depois, para a prefeitura de Belo Horizonte. Além de lançar o que foi um dos mais importantes presidentes brasileiros, o Benedito da expressão também  virou cidade, cedendo seu nome ao município de Governador Valadares.